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Meu Portugal

Das histórias contadas por meu pai à minha própria experiência

· Aposentados,Familiares,Empreendedores,Estudantes,Profissionais

Por Valéria Basso

Histórias de pai para filha

Eu cresci ouvindo Amália Rodrigues, Roberto Leal e as histórias da infância do meu pai, vividas entre Labruge e Calvelhe; aldeias que pertencem ao Concelho de Vila do Conde, Porto, região Norte de Portugal. A vida simples, o frio do inverno, as bagunças das brincadeiras de verão e o trabalho que começou aos oito anos de idade, nas terras de lavradores em troca de comida.

Meu pai lembra de muitas situações, muitas canções e trechos inteiros de peças de teatro dos seus tempos de escola. Foram tantas lembranças compartilhadas por ele que durante muitos anos, Portugal era para mim um lugar parado no espaço e no tempo daqueles idos anos de 1930 e 1940. Ele precisou deixar esse lar tão precioso aos dezesseis anos e ir para o Brasil em busca de trabalho. Eram tempos muito duros por cá, e essa aventura de cruzar o Atlântico já havia sido experimentada por meu bisavô, meu avô e meu tio.

Minha primeira visita a Portugal

Vim a Portugal pela primeira vez no final de 2001, já com meus 28 anos. Trouxe meu pai, meu marido e muitas expectativas. Afinal, eu tinha uma família enorme por conhecer e queria ver de perto aquelas terras que, em uma altura em que era preciso fazer a “vira” para nova semeadura, “engoliu” um pé de tamanco do meu pai e só o "devolveu" meses depois, quando a terra pode ser novamente mexida. Nesse intervalo, ele andou apenas com um pé do tamanco! Eu adoro essa história porque ele sempre conta sorrindo. Seja ela verdadeira ou não!

Já no início dos anos 2000, o que mais me chamou a atenção foi perceber que Portugal era muito mais do que a vida pacata das aldeias da década de trinta. Achei as pessoas que conheci extremamente modernas, pouco moralistas e corajosas. 

No centro do Porto e em Matosinhos, a beleza das cidades maiores, as Universidades e os shoppings foram para mim uma surpresa! Lembro-me de ter assistido ao filme Senhor dos Anéis em uma sessão de cinema que começou depois da meia noite. Saímos depois das três horas da manhã e as ruas estavam cheias de jovens de todos os estilos. Voltei para o Brasil com uma vontade enorme de viver aqui. Eu sempre pensava na segurança, na limpeza das ruas, nos lugares lindos que eu ainda queria conhecer e no fato de estar na Europa.

Realizando sonhos e mudanças
Só vim realizar esse sonho em março de 2018, já com dois filhos. Apesar de estar em um lugar tão familiar e querido para mim, essa mudança não foi fácil. Tem sempre algumas questões que nos deixam inseguros, e a pior de todas para mim e para várias pessoas que eu conheço é a questão do emprego.

Afinal, quem não quer viver em um lugar como esse? Me pego andando pelas ruas de Vila do Conde a sorrir sozinha. A sensação é de segurança, realização, alegria, entusiasmo mesmo! Meus filhos frequentam boas escolas públicas e pela primeira vez não pago colégio particular. Os hospitais públicos que conheci aqui parecem, para mim, os hospitais particulares do Brasil e a segurança que sinto nas ruas é quase inacreditável! Agradeço à vida por essa oportunidade mas para que ela seja de fato garantia de permanência e felicidade, o planejamento é fundamental.

Primeiros passos para quem deseja viver em Portugal
Portugal é um país pequeno, com população pequena também, e talvez por isso o mercado de trabalho não seja dos mais vantajosos por enquanto. Como o salário mínimo é um dos mais baixos da Europa, muitos jovens portugueses buscam oportunidades de emprego em outros países, como Suíça, França e Alemanha.

Para quem está pensando em vir, o ideal é pesquisar as demandas do mercado de trabalho, as melhores cidades para achar o tipo de serviço que você pode oferecer, preparar-se financeiramente para ter uma boa reserva enquanto procura emprego e estar atualizado profissionalmente. Talvez um bom caminho seja vir com visto de estudante e se especializar aqui mesmo em alguma área promissora.

Tem pessoas que não conseguem nada e precisam voltar, outros que tentam em carreiras com mais oportunidades e conseguem ficar. Há ainda os que têm sorte e na primeira tentativa já estão empregados, mas isso é mais raro! Conheci um brasileiro que está aqui desde a década de 1990. Chegou a passar fome mas não quis voltar, tentou de tudo. Hoje é camionista (como chamam aqui) e trabalha muito. Assim, conheceu toda a Europa, tem apartamento em frente à praia e carro sempre novo. 

Com planejamento, perseverança e um pouco de sorte é possível!

Confira no Blog do Portal do Imigrante mais experiências reais de pessoas que vieram morar ou trabalhar em Portugal.

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